O corpo inteiro é poema para Ricardo Aleixo

O corpo inteiro é poema para Ricardo Aleixo

No mundo contemporâneo urbano, em que as mãos estão tão ocupadas com telas e teclados, com falsos espelhos e interfaces para mundos virtuais, Ricardo Aleixo propõe um retorno ao corpo como primeiro lugar de produção da poesia. Antes da primeira letra ser dita, pequenas sinapses já se mexiam em nossos miolos. A criação surge de algo palpável, sensível, elétrico, os impulsos.

“Escrevemos com o corpo inteiro, e não só com as mãos e os olhos”, respondeu Aleixo à nossa pergunta sobre se o poema-performance pode significar uma chance de encorajar as pessoas a se reencontrarem com outras partes do corpo e, até, outras partes da mente e também se conseguiríamos aplicar essa prática em ambientes de aprendizagem convencionais como salas de aula?

Nossa pergunta encontrou Aleixo exatamente no meio de um momento de reflexão sobre o assunto, quando o mesmo ministrava a oficina “A performance intermídia da concepção à montagem”. Sobre a experiência dessa oficina e o que o levou a construí-la, ele escreveu:

“Nela, eu desenvolvo a ideia de que o primeiro espaço de quem performa é o próprio corpo, o que faz dele a nossa ‘mídia primária’, a partir da qual todos os demais elementos se organizam (o ambiente, as temporalidades, a relação com a plateia etc.). Minha concepção pessoal de performance faz da voz (que também é corpo) uma ativadora das demais partes do corpo, sem que nenhuma parte prepondere sobre as demais, num plano de equivalência que, na melhor das hipóteses, terá continuidade na relação com o texto que se escolhe para performar. Trata-se de uma estratégia para desautomatizar a leitura, aproximando-a cada vez mais do ato criativo, o qual, no meu entendimento, igualmente relaciona-se com a performance, já que escrevemos com o corpo inteiro, e não só com as mãos e os olhos.”

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2019 | Ciclo de Literatura Contemporânea