Nicolas Behr e as margens da publicação independente

Nicolas Behr e as margens da publicação independente

A literatura de Nicolas Behr nasce do desejo nunca saciado pela expressão através das palavras. Mas, a sua publicação nasce de uma imensa necessidade de compartilhar o que escreve. A partir desses dois impulsos, Nicolas desde cedo soube que teria que assumir vários papéis na cadeia produtiva dos seus próprios livros.

Em 1977, junto com “Iogurte com Farinha”, nasceram o editor independente e o distribuidor. Impressos e montados por ele mesmo, mais de 8 mil exemplares foram vendidos diretamente pelo autor em filas de cinema, teatro e bares, em diversos lugares de Brasília.

Numa época em que a impressão de livros era inacessível, Nicolas apropriou-se da técnica do mimeógrafo, máquina que se utilizava de uma matriz, chamada de estêncil, cuja impressão usava álcool para que o conteúdo da matriz pudesse ser transferido para as folhas.

Quem viveu as décadas de 1970 e 80 deve ter experimentado a sensação de receber atividades mimeografadas em salas de aula. As cópias tinham cheiro de novas e limpas, por causa do álcool que nelas se impregnava.

Depois do mimeógrafo, Nicolas acompanhou os avanços tecnológicos de impressão e chegou ao offset, mas continua marcado como integrante da Geração Mimeógrafo ou Marginal, que aglutina também os poetas Chacal, Cacaso, Paulo Leminki e Ana Cristina César, além de músicos e artistas visuais.

Hoje, boa parte da obra de Nicolas Behr pode ser lida no site do autor. Mas, ele confessa sua predileção pelo objeto impresso: “O livro não é deletável”.

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